sábado, 28 de novembro de 2009

Dia dos Penedos

Na Biblioteca Municipal de Penafiel

Relembrando conversas d´outro tempo

Casos Influentes
Era assim que falavamos aqui na nossa Aldeia, este morcão é mesmo um penedo.
Era a nossa linguagem, não nos sentíamos dimuidos por isso, pois quem a nós se nos dirigia nestes termos, era alguém que procurava passar numa mensagem com o propósito de nos incentivar, para que fossemos bons aprendizes e abrissemos a mente para ali alojar alguma coisa.

Recebi hoje e merecidamente essa chamada de atênção, fui alertado para não misturar alhos com bogalhos, devia seguido rigídamente essa orientação, mas a vontade de descarregar para o Blogger o que tinha armazenado falou mais alto. (Penitêncio-me)
Podia deitar tudo a perder, pois separar as águas, vai dar uma trabalheira do Caneco, o meu professor vai dar a Cezar o que é de Cezar, vou ficar-lhe a dever mais esta.
Tenho as minhas desilusões, os meus amigos até muitas vezes fazem-me chamadas de atênção, por entenderem que eu sou um banana, porque acredito de mais e depois sofro, quando sou traído.
É verdade e não lhe quero retirar nem uma virgula ao que falam ou escrevem, mas como poderei deixar de acreditar, quando recebo provas de amizades puras que compensam todas as outras.
Muito sinceramente acredito que recebo muito, mas muito mais, do que aquilo que dou.
Corro o risco de quem me lêr, concluír que escrevo, escrevo e não digo nada. Se calhar é correcta esta avaliação, mas por vezes divagamos, e principalmente, quando queremos reconhecer o amigo que nos ajuda, que nos dá força, e nos desafia para que avancemos, nós temos dificuldade em tratar o problema, porque são pessoas que dão porque são boas, porque gostam de partilhar, mesmo sabendo que o aluno é faltoso.
Tenho o privilégio de ser seu amigo, e ele que me desculpe, mas certo que tem contribuído de forma decisiva, para que me sinta activo e caminhe para a realização . Peço-te paciência e humildemente te lembro, não foras tu e as coisas não teriam avançado:
Foi uma enorme honra ser por ti convidado e teres partilhado comigo na Biblioteca Municipal de Penafiel e a força que me transmitis-te para que me realize, podendo contar sempre contigo e me desculpares pelos erros acima cometidos, segunndo as tuas palavras que são testamentos. Por tudo Obrigado Manuel Araújo Cunha.
Como sabes apareceu outro Filho da Escola Carlos Tintinaine, que tem sido espetacular depois de o ter conhecido na quinta - feira em casa dele na Póvoa do Varzim, que dizer!.... Vou fazer questão de nos juntar os três para um almoço algures na nossa terra e aí sim vou sentir-me enorme. Obrigados.
Comentário final:
Com professores destes o aluno não pode falhar. Um abraço deste Marujo

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Gente da Minha Terra

Ninfa do Douro
Testemunho de um rio que corre com destinos incertos. Umas vezes pelas Intepérides, outras pelas atrocidades.
Mas os Rios são Eternos como expressa o Autor.
Ao longo da sua leitura percorremos uma estrada liquida de sonhos, que nos embalam em paisagens lindíssimas e na simplicidade e lealdade das suas gentes.
A bordo do Pirata Azul, saberemos que os desenhos que o amor rabisca nos corações de alguns, podem não passar de uma breve e fugaz ilusão mas o mais certo é ficarem a germinar na incubadora dos dias à espera de um dia resplandecer em frutos.

Filho da Escola

Honra para mim, poder contar com esta dádiva do bom Amigo e Filho
da Escola servindo tal como eu na Marinha de Guerra Portuguesa. Ambos estivemos em
terras Moçambicanas, apesar de não nos termos encontrado, na altura eu estava no Lago Niassa e o Manuel que tinha como destino lá ir parar, acabou por ficar Lourenço Marques, por vontade de um Oficial.
Precioso contributo vitaminado, que fortalece e crementa o nosso amor ao Rio e às nossas Gentes, o mesmo é dizer que nos delicia a todos nós, nesta verdadeira homenagem.

Revejo-me na obra e nas suas citações. Trata-se de obra de com um grau elevadíssimo de profissionalismo a a ligação perfeita à alta qualidade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vida de entre Vidas - Pesca Fluvial

Lingueta
Lingueta Reconstruída
O dia Nasce
A Noite Escurece
A Natureza Cresce
Mas os Verdadeiros Amigos
Esses Nunca se Esquece


Dedicado aos Pescadores artesanais, que já partiram, com muito afecto amor e carinho incluíndo os de Rio Mau/Cancelos/Sebolido Midões/ e Pedorido. .




Devido Reconhecimento

A Reconstrução da Lingueta que em tempos fora construída pelas Companhias detentoras do Vinho Espumante do Douro e que serviram para desembarcar e reembarcar as Pipas, que eram armazenadas nu,a casa no Tapado do Coelho,sendo que o mesmo acontecia a cerca de uma milha, onde ali também construíram uma outra lingueta, que agora se encontra submersa motivado pela subida do caudal do rio, implantada na Quinta da Abitureira.

Urgia local de atracação

Embarcações atracadas na lingueta dos pescadores marinheiros em 21/03/2009


Os Pescadores dirigem-se ao Barco Rabelo para trocarem Peixe por Jeropiga Dois Pescadores Colhem a Rede, o outro Pescador levanta a Tralha Superior para que o peixe não possa fugir. 4 Pescadores com a Varga, dirigem-se para o Areio, onde darão inicio à Campanha

RECORDAR É VIVER -
ERA ASSIM A PESCA ARTESANAL NOS AREIOS DE PEDORIDO, MIDÕES E DORT´S.
RELATO ILUCIDATIVO DOS APETRECHOS E PESSOAS PARA A PESCA AO SÁVEL E LAMPREIA

INTRODUÇÃO:
Vou procurar ser o mais imparcial possivel, para que não caia na tentação de puxar a brasa em demasia á sardinha. Nasci no seio de uma grande familia de Pescadores,tanto pelo lado materno, como pelo paterno. Naturalmente e seguindo aquela máxima "Filho de Peixe Sabe Nadar". Naturalmente, também eu teria de ser pescador. Trabalhei com todo quase todo o tipo de redes que era utilizada na pesca. Sendo até que a maioria delas as preparei ou ajudei a preparar. Não será muito importante opinar, se dos Lugares e Freguesias Ribeirinhas e neste caso concreto, se os pescadores de Cancelos juntamente com Midões, terão sido proporcionalmente, aqueles que mais se dedicaram a estas lides. Ou mesmo se a sua sabedoria, superava os outros pescadores do Lugar de Rio Mau e da Freguesia de Pedorido, que quando o caudal do rio o permitia pescavam no areio de Pedorido, sendo que os de Cancelos e Midões pescavam no Areio de Midões. Quando o Caudal cobria os dois Areios, todos se juntavam e pescavam no Areio Dort´s, já que este era o maior de todos os areios ao longo do Rio Douro e como tal só em grandes cheias não era possivel pescar. Pelo que me foi dado conhecer estou convicto que todos no seu conjunto levariam vantagens a pescadores d'outras paragens. Já que as suas ligações com outras tarefas eram constantes.
Casa onde existiu uma Loja de Mercearia e Taberna, como também era o Loocal onde se localizava a compra e venda do Sável e da Lampreia. Que os Pesacadores de Cancelos e Midões pescavam foisse no Areio de Midões ou Areio DÓrtes.


CONSIDERAÇÕES :-
Por mim conhecendo os pescadores destes lugares,(tendo pescado com os maiores vultos).merecidamente terá de ter destaque especial, aqueles que viviam quase exclusivamente da pesca . Todos os outros se dedicavam com total empenho. Gente que muito para lá da enorme necessidade que tinham da caça do Pescado.Já que por vezes,esta era a única fonte de rendimento, que entrava em suas casas. Muitas vezes esta era única fonte de rendimento, a sua sobrevivência e dos seu dependentes. Era contagiante notar a maneira como deixavam transparecer uma enorme alegria e o sentimento de paixão e amor que nutriam, fosse pela sã camaradagem, (a partilha) fosse pelo amor ao seu rio Douro.

NÚMERO DE REDES E PESCADORES POR CADA VARGA.
Tempos houve em que Midões e Cancelos chegaram a ter 32 Vargas. Como cada Varga ocupava 4 pessoas, logo 120 pessoas (Homens - Mulheres, Adolescentes e Crianças),que se ocupavam desde meados de Janeiro até fins de Maio. Sendo que depois vários homens continuavam, quando terminava a pesca ao Sável e Lampreia, normalmente no mês de Maio, até fins de Setembro,continuavam a a pesca, utilizando outro tipo de redes e o pescado eram várias espécies de peixe miúdo.

PESCADORES QUE CONTINUAVAM NA PESCA AO PEIXE MIÚDO.
Destes homens destacam-se pescadores, como os Ti´s Jaquim Ferreira( O Garguenteiro),Albano, Carlos e Américo Rouxinóis, Luis Gordinha e Francisco Mota. Muitos outros pescavam dois ou mais anos ,como eu e tantos outros, Jovens e Adultos. Interrompendo, quando se arranjava um trabalho de rentabilidade continuada.

AS ESPÉCIES MAIS APRFECIADAS ERAM O SÁVEL E A LAMPREIA.
Certo que as espécies mais preferidas pelos pescadores e querm as podiam comer económicamente, eram o Sável e a Lampreia. espécies que faziam parte da economias da região. Apreciados e servidos á mesa de muito boa gente.

SAIBA COMO ERAM MANUSEADAS ESSAS REDES E MÉTODO DE UTILIZAÇÃO.
Importa ilucidar como eram manuseadas essas redes e a maneira como eram utilizadas. As redes de arrasto utilizadas para a pesca do Sável e Lampreia só era possivel manuseá -las, utilizando um Barco.

O BARCO VALBOEIRO OU SAVEIRO, SENDO QUE TODOS ELES TNHAM UM NOME PRÓPRIO. Tinha um cumprimento que variava entre os seis e oito metros. Com cerca de 2m de largura, forma abdicada, construído em madeira de pinho e eucalipto.Composto por:- Sagro, Costado, Cavernas, Proa, Coqueiro,Chileira, Taburnos,Toste, Chilote,Terlinga e Draga.Utensilios :- Dois ou mais Remos. Paus de Vela, Bela Bicheiro e Bartedouro. Como nota curiosa. Quando fui para a Marinha e fui estudar marinharia, apenas dois ou três nomes eram usados. O Bartedouro,os Remos, o Mastro e a Vela.

COMO ERAM PREPARADAS AS REDES DE ARRASTO PARA A PESCA AO (SÁVEL E LAMPREIA).
As redes de Arrasto normalmente eram feitas por Pescadores com maior conhecimentos e Arte. O fio era feito de linho, que as próprias mulheres fiavam,com as rocas e fusos, passavam depois para o sarilho, onde ficava em meadas.Estas meadas depois passavam para um novelo,depois para as agulhas de madeira, de madeira também era feita uma forma, para se fazer a malha á medida que em média era de 6o. Para se começar a fazer a peça, haviam 3 maneiras de o fazer; o cabeção,o radial ( que se poderia começar com 3 malhas e o cabresto,todos serviam para iníciar, à peça de rede a confeccionar.

OS ELEMENTOS DE UMA VARGA ERAM QUATRO.
TINHAM REGRAS E HAVIA DISTRIBUIÇÃO DE TAREFAS.
Eram compostos por 4 elementos, homens mulheres e Jovens a partir de tenra idade.Assim se organizava a Companha.
Imprescindível um Barco, o qual tinha de estar matriculado na Hidráulica do Douro.
Teria de ter-se normalmente 8 peças de rede (sendo que cada duas peças mais a pessoa correspondia a um quinhão).Cada peça teria de ter 6,5 braças de comprimento, por 3 braças de largura. Sendo que o total das 8 peças correspondia a uma rede com 140 metros, com 3 braças de altura. Eram ligadas as peças umas ás outras por um fio mais forte.Nas laterais por cordas finas em linho ou algodão, cujo nome eram tralhas,estas eram maiores que as redes para servirem de forcadas, ou melhor para serem depois ligadas a um corda mais grossa chamada tôro. O nome dado aos extremos das redes no sentido de comprimento era cabeções e as cordas que eram ligados a estes forcadas.Ligadas depois de entrançadas aos aludidos tôros de proa e do traste, cordas que tinham o seguinte comprimento. Tôro de proa ligado á furcada tinha 50 metros e o tôro do traste 100 metros. Junto das furcadas era-lhe colocado um cabeceiro (chicharo), que servia de pesquisa para determinar o angulo que a própria rede poderia fazer no percurfso, ao deitar o lanço no tôro do traste. Era feita uma asa, que enfiava numa caverna do barco para nã se soltar casualmente.

TINGINDELA DAS PEÇAS DA REDE DAS VARGAS.
Quando os Panos das redes estavam totalmente prontos,arranjavam-se cascas de Salgueiro, pisavam -se numas pias ou pios, feito em pedra dura. metiam-se dentro de uma Panela de Ferro compradas na Fundição de Crestuma, era cheia de água,era feita uma grande fogueira, depois de bem fervida,a água era metida em grandes gamelas de madeira, onde as redes que tinham side feitas em cru, era mesgulhadas e depois de bem tingidas eram retiradas e colocadas numas forquetas chamadas varais, para que as redes secassem.

ENTRALHAMENTO DAS PEÇAS DA VARGA.
Por cima levava 1 rodela de cortiça,de oito em oito casas era feito um buraco ao meio para enfiarem na tralha superior.
Por baixo com os mesmos espaços levava uma pedra de Xisto, (eram pedra de lousa que se carregavam da Serra da Louseira),arredondavam - se, era-lhes feito um buraco, sendo que no mesmo se enfiava um fio que amarrava á tralha. Para o entralhamento, usava-se uma peça de madeira a que à qual se dava o nome de bitola.

TUDO PRONTO PARA SE DAR INÍCIO Á COMPANHA.
A rede era acomodada sobre a chileira.Os quatro pescadores que faziam parte da Varga, rumavam ao Areio que seria o de Midões, se o Leito do rio o permmitisse ou Areio Dort´s se o Caudal do rio imergisse o Areio de Midões. Se aqui se juntavam as Vargas deste Lugar e de Cancelos no Areio Dort´s juntavam-se ainda os de Rio Mau e Pedorido, sendo que todos pescavam com direito igual.
Aproava-se o barco ao Areio, dois pescadores saíam para terra levando consigo a ponta do tôro da proa, os outros dois começavam a remavar rumo á outra margem de costas para ela (começavam a sacar - "sacar-remar ao contrário").
Começando a largar a rede teria necessáriamente de haver grande cuidado, por parte do elemento que sacava junto ao traste, cabia-lhe a responsabilidade de ver, se a rede que ía entrando na água não caía entrelaçada. Porque se tal acontecesse o lanço ficar irremediávelmente inutilizádo. Pelo areio seguiam os outros 2 elementos, puxando para terra e sempre para a frente as forcadas, para que a rede do seu lado fosse encostada o mais possivel á margem. Isto para que o peixe não podesse fugir ao bater de frente na rede. Os outros dois elementos depois de largar a rede,largavam a corda, atracando ao areio e indo meter a asa num pau espetado no areio. (Chamado Estacão) Depois desta operação folgavam um pouco. Continuava a coordenação entre os 4 elementos, para que o cerco fosse completo com as duas extremidades. A certa altura, seguia-se a operação singer a rede. Os dois que seguiam com o tôro da proa fincavam os pés juntos no areio e íam deslizando, era um esforço grande, normalmente deixavam maracas com regueiras. Quando estava na posição de ser colhida, era dado um berro, dizendo larga, quando tal acontecia já estavam dois elementos a equilibrar as extremidades, ficando assim paralelas,afim de serem colhidas ao mesmo tempo. Largava a corda imediatamente e´dirigia-se ao estacão, chegado lá tirava a asa e corria para o barco trazendo-o o mais possivel para junto do local onde estava a ser colhida a rede. esta operação era feita 2 elementos, enquanto o outro se metia água dentro (já que em tempo não havia galochas (botas de água))e pegava na tralha quer prendia as rodelas de cortiça, segurava-a para cima e levvantava-a para evitar que o peixe que tivesse sido cercado e cada vez mais preso na rede guinasse de um lado para o outro e corresse o cerco de alto abaixo, tentando fugir, o que várias vezes conseguia, quando arrombava a rede.

OPERAÇÃO COLHER A REDE.
Enquanto a rede era colhida, o quarto elemento colhia as cordas e tirava alguns gravatos que estivessedm junto da rede. A rede colhida, tirava-se o peixe, estendendo-o no areio, enquanto 2 dos elementos,davam uma viragem á rede para que ela ficasse ás direitas, para ser novamente metida no barco, procurando detectar ao mesmo tempo qualquer tipo de buraco ou desentralho , ou ainda falta de pedras.

COLHENDO A REDE PARA O BARCO.
A rede era colhida e ficava em feição de ser remendados os buracos, os desentralhos e recolocar as pedras perdidas.

HAVIA UM RESPONSÁVEL PELA VENDA DO PEIXE.
Havia em Cancelos um comprador do peixe, que normalmente a ele os Pescadores de Cancelos vendiam Peixe, contudo algumas vezes vendiam-no no próprio areio, quando tal acontecia o elemento responsável pela venda entrava em negociação com o comprador, normalemnte este, também era responsável pelo livro onde apontava o dinheiro realizado, o qual guardava e depois de tirado o necessário para as despesas de manutenção era repartido de acordo com o que cada um tinha direito.Como exemplo: Vários pescadores não tinham redes, pelo que apenas recebiam meio quinhão, ou seja a totalidade do dinheiro apurado depois de retirado o da despesas era dividido em 8 partes iguais.

OUTRAS REDES QUE ERAM UTILIZADAS PARA PESCAR O MESMO PESCADO A

CABACEIRA
O nome poderá estar relaccinado com a adaptação de duas ou 3 bóias de cortiça,ás quais se dá o nome de cabaceiros (Vulgarmente chamado Chicharo). É necessário meter-lhe estes chicharos (cabaceiros) e uns contrapesos de pedra, para que a rede se mantenha sempre perpendicular. Variava entre os 12 e 15 metros. Tinha um rabo, e dentro deste um outro, que o peixe quando batia na rede,voltava para trás e entrava nesse saco que fechava e não dava para sair. Tinha de ser levantada várias vezes,durante o dia e noite, já que ao entrar Lampreias começava a enrolar, não permitindo a entrada a outros.Na outra extremidade saía uma corda, a qual servia para a amarrar a uma fraga, ou então á pesqueira.As Pesqueira eram construídas pelos proprietário dos terrenos,que quando as não utilizavam alugavam.Recebendo uma quantidade de lampreia a combinar por esse aluguer.Haviam várias a de Santa Cruz,Carneiro, Açorda e a do Atloleiro. As Fragas a da Pica,da Raiva e a de Quebra-Figos.

ARANHÔ OU ARANHUÇO.
Este tipo de pesca era feito em local fixo o mais utilizado era o Remesal em Midôes e o Remoinho em Rio Mau de entre outros. Era necessário uma grande revessa (água a trabalhar ao contrário) o barco ficava de proa para a corrente do rio, a ré com uma corda amarrada aás rochas, para não deixar o barco deslizar.O Aranhô era localizado na proa, a parte que ficava á ssuperficie, era presa com umas cordas ao barco e na outra eram colocados uns calhaus,presos por umas guitas, que ficavam prontas a serem utilizadas pelo pescador. Depois de armado, com a força da água da revessa ficava enfolado. Sentado segurava os tensos, para quando o peixe batesse na rede puxava os contrapesos para o barco e o peixe ficava irremediávelmente cercado.Era uma pesca que exigia uma enorme concentração e paciência. Acompanhei várias noites o meu Pai a pescar no Remesal e muitas delas nem uma picadela dava.

O ALAR.
Eram necessárias muitas estacas de pinho e eucalipto,que espetadas no areio emergido formavam um circo tipo V no sentido da corrente das águas, na maior abertura do cerco entravam as lampreias e no vértice era colocada uma nassa própria, feita de vergas e rede fazendo um arco, para prender as lampreias. Exigia um enorme esforço, mas era basgtante rendoso, já que por vezes se pescava grandes quantidades. Também esta rede foi utilizada primeiro por uma Sociedade de Pescadores de Cancelos e Midões e depois por outros pesacadores.
REDE DE VERÂO - OU DE ARRASTO DO PEIXE MIÚDO.
Também ela exigia um número de 4 pescadores.Homens se destacaram e sempre se dedicaram durante as suas vidas a este tipo de pescaria,uma das razões era a paixão que tinham pelo rio e fazere andar naquilo que gostavam, para eles seria mais de meio sustento.Justo aqui recordar os seus nomes: O Avô Jaquim Ferreira, O Ti Albano, O Ti Carlos Rouxinol, O Tio Luis Gordinha, O Tio Francisco Mota e recem falecido Américo Rouxinol. Muitos e muitos outras pescaram durante dois ou m ais anos, mas ao deparar-se um trabalho mais compensatório, suspenderam esta actividade. Fizeram-no com imensa pena. Mas infelizmente não restava alternativa.

REDE DE ARRASTO - ESCALEIRA.
Era uma rede mais baixa do que a varga, a rede era de pesca ao peixe miúdo,igual á de Verão, pescada por três elementos, como tal a malha muita mais pequena. Levava rodelas de cortiça e chumbo,tralhas, forcadas, tôros e chicharo(cabaceiro) mas mais pequeno. Era utilizada em locais de pouca profundidade.com ela pescava-se o Muge, Barbo,Escalo, Pica, Savelha.CHUMBEIRALevava muito chumbo. Era utilizada para a pesca do peixe miúdo. Utilizada nos tempos de cheias no rio, e nas revessas, nos rios e afluentes. Tinha um formato arredondado,cobria uma área cerca de 10 metros, e uma altura de dois metros e meio e presa a uma corda paróximadamente com 20 metros. Fechada em cima e ía aumentando com a feitura de cambos. O aumento no meio de duas malhas. Era lançada e abria, com o peso do chumbo ía rápidamente assim aberta até ao solo. Depois puxando lentamente pela corda ela ía fechando. Era entralhada e faziá-se umas bolsas, onde o peixe entrava, sendo que várias vezes algum peixe vinha embrunhado na rede. Esta rede era utilizada por muito pescadores.

BARBAL OU MUSGUEIRA.
Durante muitos anos a sua utilização era proibida.
Como o próprio nome indica era princialmente para a pesca do Barbo.Era feita de duas redes, sendo que uma delas era mais larga chamada albitana,o peixe entrava e fazia saco,assim se ganhava tempo suficiente para fazer o cerco. Este cerco normalmente era feito ao meio do rio, utilizavasse um barco e este cerco demorava cefrca de meia hora.PARDELHOSRede de pequena dimensões,colocadas em pontos corrente das águas. são presos para as rochas, levando chumbo, numa das partes laterais e na outra umas pequenas rodelas de cortiça para fazer o equilibrio e lá se deitavam.Normalmente deitavam-se á noite e levantavam-se de manhã. O peixe emanhava e não lhes era possivel saír, porque as barbatanas não lhe pedrmitiam se soltarem.

ESPINHELA

COMO FOI ACABANDO A PESCA DO SÁVEL E DA LAMPREIA!....
O Assoreamento que a partir dos finais dos anos cinquentaAS MEMÓRIAS NÃO SE APAGAM COM O TEMPO- A MINHA HOMENAGEM ÁS EX-COLÓNIAS- PAÍSES AFRICANOS DE EXPRESSÃO LINGUÍSTICA PORTUGUESA.


Areio de Midões - Raiva
Vista do Sr. do Bonfim - Sebolido


Um elo de amor ao rio. A paisagem mostra o Areio de Midões-Raiva do Peso e o Areio D'órt's - Sebolido

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Eleições 2009

Campanhas 2009
Disse-me quem sempre lá tem estado e foi votante em todos os actos Elewitorais, que até ao dia de hoje era impensável tal acontecimento na pacata e hospitaleira Freguesia de Sebolido, onde o seu número de Eleitores não chega aos milhar.
Principalmente e quando no passado dia 3 em Rio Mau, as campanhas dos Candidatos, metendo o Quim Roscas e parceiro do Telerural, o Porco assado e muito mais.
Certo que a nossa Freguesia ficou mais poluída, já que as caravanas da Lista Independente a ColigaçãoPSD/CDS, os Candidatos Camarários e a Lista do P.S. concorrente á Assembleia de Freguesia de Sebolido fizeram circular durante horas inúmeros carros.
Um observador atento e que ideológicamente não está ligado a nenhuma destas candidaturas, e já que delas seguramente sairá o Presidente da Junta de Freguesia de Sebolido, o Presidente da Camara Municiapal de Penafiel e o Presidente da Assembleia Municipal de Penafiel, apenas terá um forte desejo e não esita em fazer um apêlo ou se for mais importante um pedido:- Que independentemente de quem for eleito para nos Governar, passem a ter a respeitabilidade de todos os Sebolidenses, mas mesmo todos, independentemente de serem os eleitos nas listas em que votaram.
Pois o povo é soberano e quem vier a ser o escolhido parar os representar, merece e tem obrigatóriamente que lhe guardarem esse respeito.
Os que vierem a serem eleitos, que de imediato dispam as roupas da partidarite e que se empenhem totalmente e percebam que a nossa Freguesia de Sebolido e os Sebolidenses, não podem continuar a pagar facturas para as quais não contribuem.
Quem já conta largas dezenas de anos e conhece a história do nosso lugar e posterior Freguesia com mais de 300 anos, sabe que esta freguesia e suas gentes laboriosas e hospitaleiras que se calhar o seu grande pecado foi o de serem demasiadamente humildes, como tal presas fáceis e por isso vitimas e prejudicadas .
Primeiro integrados como lugar na Freguesia de Canelas, depois quando nos tornamos em Freguesia e de de bom grado recebemos e aceitámos a integração do Lugar de Rio Mau, que voluntariamente e fazendo crer que o faziam num gesto de boa vontade e de elegante vizinhança, quizeram de livre vontade pertencerem ánossa Freguesia. Mas claro como a água limpída, quando a Esmola é demasiada grande o pobre deve precaver-se .
Não ingénuamente que o fizeram e sempre souberam levar o melhor quinhão, deixando quando muito para não se tornar alarmante umas miseras migalhas para nós e sempre porque eram maiorias e tinham os Senhores tais sempre ocupavam os Lugares chaves que lhe permitissem dividir o bolo a seu belo prazer.
Souberam hábilmente fomentar em Sebolido os grupinhos de divisão enquanto entre si tiveram a mestria de crementar e alicerçar a união e amor ao seu lugar.
Tenho pelo povo Rimauense uma enorme admiração e estima e em muitos casos um forte amor, mas sei que aqueles a que me refiro encontrei-os na própria História do História e daqui levavam bons dividendos, mesmo o forte do Azeite em plantações de Baldios. A conclusão não é minha, mas sim de verdades indesmentiveis.
Pelo que não será demais um apelo a quem nos vai Governar que dediquem um pouco mais de atênção a esta freguesia que muito dele carece e que nos propocionem condições e meios para que Sebolido tenha o mesmo direito a desenvolver-se ao nivel das restantes 37 Freguesia do Concelho.= Também não existem grandes dúvidas, que para que tal aconteça, as gentes de Sebolido têm de acabar com a fomentação da divisão e unir-se para reapróximar todos os Conterraneos e mesmo todos juntos, ainda poderemos sermos poucos, mas que sirvamos para passarmos a auferir daquilo a que por direito próprio nós e a nossa Freguesia justificadamente merece.
Nós passamos. Mas as gerações vindouras farão a história e serão justas na sua avaliação.
SEGURAMENTE TEREMOS DE TRABALHAR NO SENTIDO DE TORNAR A NOSSA TERRA NUM LUGAR ONDE TENHAMOS ORGULHO E CONDIÇÕES DE CÁ PODERMOS VIVER

Centro e Autárquicas 2009
Como Secretário da Direcção do Centro Recreativo e Cultural de Sebolido, pugnei para que todas as Forças e Coligações fossem tratadas rigorosamente igual.
= Durante várias anos tem a Colectividades saído prejudicada pelos ataques constantes em épocas Eleitorais.
= Acreditava que fosse possivel deixarem de lado certos preconceitos e dispusessem da Colectividade como um enorme legada pelos nossos antepassados, e onde muitos de nós começamos a dar os primeirois passos na Educação e nos ministraram ali uma Educação que nos permitiu resistir e ser exemplo durante as largas dezenas de anos que já contamos.
= Fui rigoroso na entrega do documento que disponibilizavamos as Estalações para eventgos partidárias em conformidade com a lei, no tempo que durava a pré-campanha e Campanha dos dois actos Eleitorais.
= Os actos ficam sempre com quem os pratica.
= Contudo com Director do Centro Recreativo e Sebolidense não poderei deixar de lamentar profundamente tal procedimento.
= Nada me move cpntra nenhuma força partidária concorrente em Sebolido ou no Concelho, em primeiro porque não voto na Freguesia, em segundo porque estou ligado por convicção ideológica á C.D.U. Mas foi um compromisso solene de que como Director seria imparcial e abstinente.
= Contudo é um direito que me assiste de poder elogiar a actuação dos Candidatos do PSD/CDS, os quais no passado dia 5 de Outubro nos honraram com a sua presença, e a solicitação minha com responsável pela Cultura ao visitarem a nossa Biblioteca ofertarem livros, on Senhor Candidato Dr. Alberto Santos 2 exemplar da obra que Editou e o Senhor Candidato a Presidente da Assembleia Municipal Dr.Lobo Xavier a Oferta de uma Colecção de livros da sua Colecção Pessoal. É justo que reconheçamos esta disponibilidade de colaboração.
= O mesmo tem acontecido com a Lista Independente que depois da sua apresentação ontem se fizeram representar.
= Quando falhamos estamos sempre a tempo de corrigir e indeferentemente de quem for eleito Presidente da Junta da minha Freguesia de Sebolido, ponha de arte todas as querelas pessoais e apoie a Colectividade de todos nós Sebolidenses.
Oito anos sem qualquer tipo de apoio do nosso Executivo, é uma pena demasdiada pesada.
= Se esta regra de cooperação se vier a concretizar por quem vencer as eleições terá a minha total solidariedade, de contrário o problema de não subsidiar o Centro Recreativo e Cultural de Sebolido será sempre um ponto de discórdia.
= Como Cancelense/Sebolidense nada me move contra o actual Executivo e reconheço que Cancelos desfrutou de melhoramentos razoáveis.
= Vença quem vencer o povo é soberano, quem for eleito merece e deve ser respeitado como entidade máxima, mas o exemplo deve vir de quem coordena e incentiva os valores Culturais e Recreativos da nossa Terra.
Não sou perfeito nem tenho essa pretensão, mas na coninuidade dos muitos anos que levo como elemento de Associações e Coletividades em regime de total voluntariado sempre colocarei os interesses da Colectividade acima dos interesses pessoais.

Vozes do Sousa e Canarinho
Dos conhecimento primórdios; conta o historial:- Quando citado do Rio com o nome de RIU MAO, nome este, que mais tarde viria a dar lugar ao Povoado com o mesmo nome,e depois Rio Mau, depois Lugar vindo a ser pertença da Freguesia de Pedorido,e a sua Capela Pobre e como tal não sujeita a Pagamentos e a pdertencer á Igreja de Santa Eulália,onde existiam três Padres, sendo que um deles segundo suspeita que tinham os próprios Padres escrevia um deles pedindo segredo ao Bispo, prestes a ser Pai. Quando o Caudal do Rio Douro,não se tornava impeditivo ocorrido pelas intepérides que provocavam fortes Cheias. Quando viável a Travessia entre Margens,um deste, Padres (usualmente o mais recentemente ali colocadoera desiganado para a realização da Missa na Capela.
Não havia Igreja em Sebolido e Povo deste lugar tinha de se deslocar á Igreja de S. Brás em Canelas.
Era um desafio acrescido, já que enfrentavam o perigo iminente e que poderiam em muitos casos ser fatal,ao se deslocarem para a Freguesia e poderem assistir á Missa,o perigo constante dos ataques de Lobos mais que muitos e que os ataques eram frequentes e mortifedros ao pequeno descuido de indefesa). Não se conhecem muitos dados elucidativos onde eram sepultados os restos Mortais em ambos os Povoados. (Sendo que os de Sebolido e depois da Implantação da Ireja começaram a serem aí sepultados, até á feiturta do Cemitério). Por vontade própria!... Mas diz a Sabedoria Popular.E essa poucas vezes se engana. Que quando a esmola é grande. O Pobre desconfia) Desvinculou-se desta e integrando-se na Freguesia de Sebolido, quando esta se desvinculou como lugar da Freguesia de Canelas, já lá vão 200 e muitos anos. Embora não sendo esta uma questão de fundo para o assunto abordar, é contudo importante realçar que são sobejamente conhecidas, em estudos aprofundados e desapaixonados que o principal objectivo que norteou esta voluntária integração nesta recem- promovido Lugar a Freguesia de Sebolido, apenas objectava,tornarem-se e decorridos alguns anos, em Freguesia e com paninhos de lã, quase como quem quer o adormecimento, tornarem-se tanto quanto rápidamente possivel em Freguesia, mesmo que para tal tivesse Sebolido,de voltar novamente a ser Lugar e a partir de então vir a pertencer a esta nova Freguesia. Era um sonho em que acreditavam ser possivel, os escritos de nomes sonantes do Lugar de Rio Mau o referem e não escondem o quanto os incomodavam passados muitos anos continuarem integrados e como Lugar na Freguesia de Sebolido e à qual de livre vontade a escolheram e passaram a pertencer-lhe. Durante mais de Centena Meia de Anos mantiveram esta ambição, conseguiram impôr os Presidentes de Junta Rimauenses , assim como ainda O Regedor. Durante Larguissimas dezenas de anos. O Povo da Freguesia de Sebolido principalmente da parte do Lugar,gente que a sua maior parte viviam quase em exclusivo da Agricultura e como tal a mais sub-desenvolvidos. O Medo de serem obrigados a se tornarem membros de uma nova Freguesia que era seu Lugar mantinha-os inconstantes e todos e quaiqueres movimentos pelo mais bem intencionados, para eles apenas visavam a independência. O Lugar de Cancelos e anteriormente a 1948. Ano em que a estrada começou a ser rasgada, era de longe superior, já que todo o Comércio se movimentava pelo Rio. Tinham Cultura superior à grande maioria dos do Lugar, a Exemplo - Os muitos Filhos da Malhada, dos Pedros,O Tonino, O Frederico, O Jigueiro, O Venâncio, O Barrigudo,a Alzira O Sapateiro, O Palhas, O Albano A Patelinha, o Jaquim Ferreira a todos eles faltou o TI ea Ti,tantos outros. Muitas histórias ocorreram, mas uma das mais importantes, foi quando se decidiu pelos anos cinquenta fazer um Cortejo de Oferendas para obras na Igreja Paroquial decidiram organizarem-se e fazerem o seu próprio Cortejo, conseguiram trazer o Ribeirinho que era de Rio Mau mas tin ha e Casado com uma mulher de Cancelos e cá vivia e porque era membro do Rancho Folclórico de Santa Maria de Sardoura tendo levado o Ensaiador Quim Ferreira, tendo Sebolido de recorrer ao Fajardo de Rio Mau.Começaram os de Cancelos de Imediato os ensaios na Casa do Porco pertença do Ti Manel Guerra. Cantavamos então: Senhor do Bonfim é nosso, uma mini Capela que com o dádiva de dois Cancelensse radicados no Brasil tinha sido construída e que ainda hoje se lá mantém, Junto à Verma do lado direito Marginal saída Povoação de Sebolido.
Então cantava-se :-
Senhor do Bonfim é nosso ò laré.
E a torre da nossa Igreja ó laré .
Por ser pequeninos não importa nada:
Só o que nós queremos é a conta arrunmada.
Estava aqui dada com toda a clareza a resposta aos complexos do Povo de Sebolido mais da parte do Lugar que vivia com o complecite de inferioridade das Independências.Verdade que o Povo de Rio Mau os chamados homens fortes de então sabiam tirar partido de serem maioritários, forçosamente tinham de se desenvolvderem superiormente aos de Sebolido, já que o Amor que nutriam e em muitos casos, ainda nutrem actualmente pela sua Terra, era mais que previsivel, mas não perdiam pitada para se imporem e apropriarem-se segundo muito mprovávelmente a lei os facultaria de Platarem Oliveiras por todo os Baldios de Cancelos, Caminhos Públicos, Chegando mesmo a Platar em propriedades privadas e naquelas em que as confrontrações dos terrenos eram e são contigo amigo Rio Douro. Era a Lei das Balas. Foi todo este desenrolar que culminou que em 1961 se lá tivesse levado o celebre Burro e deixado frente ao então Presidente da Junta. C. Martins. Felizmente Sebolido e Rio Mau separaram-se nos anos oitenta, mas ficou bem patente que a vontade de do dá cá toma lá quase nada. Hoje e passados todos estes anos e apesar de ambos os Presidentes estarem ligados por laços familiares e serem da mesma familia politíca. As Limitações ainda estão indefinidas, o mesmo ao que parece essa visão e dúvida mantém-se em relacção à Histórica :Lendária e Hospitaleira Vila e Freguesia de Melres Gondomar. Como diz a sabedoria popular " Já vai da Sorte". As Histórias maravilhosas vividas lá e com os Jovens da minha Idade e a forma Carinhosa e receptividade com que lá sou recebido é para mim um estimulante de enorme importância mas a força dedicação, Paixão e amor pelo Lugar de Cancelos e Sebolido. Me levam por vezes a ter ciúmes da união e Paixão das Gentes de Rio Mau. Porque o mesmo a não acontece com a Gente da Terra que Tenho Guardada Eternamente no meu Coração. Como eu Gostaria de Poder dizer como digo que apesar de ter convivido com pessoas que tiveram de deixar de residir na Freguesia mas nem uma a exemplo, encontrei, que tivesse levantado um problema critíco ou uma pequena frase de desconforto em relacção á sua terra, ao contrário de gente de cá e que infelizmente, como a quererem justificar o que só nasua tacanha imaginação perdura, que só eles continuam a convencerem. Optam por criticar a Terra que tudo lhes deu. Sem nada lhes pedirem em troca. E que se tivessem sabido aproveitar a maravinhosa Escola de Vida que nos davam os nossos antepassados, hojem poderiam serem verdadeiros catedráticos e viverem e não vegetarem. Mas como inteligente é quem comete erros novos e os mque teimam em repetir erros velhos a história não os lembrará seguramente. Mas enfim e o mais importante é que a vida continua e cada vez a Freguesia acorda e entra no dia seguinte, mais convidativa e a nos proporcionar novos desfios. No Fundo uma perfeita terceira classe em prova na Escola de Rio Mau e uma Obra Completa em Cancelos e Escola de Sebolido, hoje Centro Recreativo. Amigo Douro, podias ter avisado que são 6 da manhã e que para quem há mais de uma semana não se pode sentar na cadeira motivado pelas Amborródias e por este motivo, a tal ter obrigado, hoje no regresso,exagerou!.... Mas Falar contigo :- É tão bom. Tão Meigo - Tão Doce:_ Tão Apaixonante , que daqui a pouco voltamos a ver-nos e a palrar mais.- Há jà Agora :-Ontem pela Tardinha, quando me preparava para escoar a água ao Barco,deparo duas LONTRAS. Estavam na Lingueta. que Pena não ter comigo a Máquina Fotográfica. Paciência!... Deve Haver Nova Maré, já que o Marinheiro vai lá estar mais assiduamente, a esperar por ela. Pois é?...´~E o Ter de Ser, Provadamente est Que que tem Força devoradora. Mas Tudo Bem O tempo. Aqui não se passa o Tempo. Vive-se Constantemente.È Uma Caixa Inesgotável de Surpresas. Quando tiver de partir, não me vai custar Morrer. Vou sim Sentir imensa falta ao saber que tenho de Deixar tudo o que Amo.
Amigo Convido-te a irmos nanar um pouco.
Fala com o Vento que não sopra forte em demasia, para nos facilitar a que eu e tu possamos descansarmos calmazmente esta manhã, depois de longos dias de Fortes Invernias..


domingo, 18 de janeiro de 2009

Fotos - Navios, Rabões-Hino aos Mineiros do Pejão- Quadras -FREGUESIAS DE MELRES RIO MAU/ SEBOLIDO E PEDORIDO

Amigo
Vamos relatar as últimas quadras e com elas terminar o número de Documentos que me foram entregues pelo António Monteiro, esperando que brevemente ele nos possa fornecer mais alguns, já que ele conserva um reportório enriquecedor.

Quadras Soltas

Quem passa por Rio Mau
Sem querer tem de parar
Seu coração fica preso
Logo ao seu primeiro olhar

Rio Mau por seres bonito
Há gente que te tem Raiva
Mas continuas sorrindo
Frente a Gondomar e Paiva

A nossa Sobreira Bela
Um Rinque de Patinagem
Tudo pula, tudo brinca
Tudo em sã camaradagem

Sobreira de Rio Mau
Com os teus carros de praça
Cada vez és mais bonita
Cada vez tu tens mais graça

Rio Mau e Pedorido
São dois lindos Povoados
Veêm-se todos os dias
Parecem dois namorados

Entre os dois existe um Rio
O segundo do País
Não é de Cobre nem Prata
Mas é Douro que se díz

No próxima mensagem irá encontrar Fotos que respeitam ao ano de 1956.
Sendo que a primeira é de um viveiro feito em madeira e que era pertença de cada equipa de pescadores de uma varga(4), nos quais se guardavam as Lampreias.

2º:- O recolher da rede (Varga) da Pesca do Sável e Lampreia no Areio Dórt´s,na Freguesia de Sebolido, tendo como fundo o Pitoresco Lugar de Rio Mau (l957)

3ª Uma Frota de Rabões atracados no Freixo em Campanhã, Barcos que transportavam o Carvão muitos metros abaixo do leito do Rio Douro (Minas do Pejão) cuja empresa era Carbonifera do Douro. Carvão esse que era transportado desde Germunde por esses mesmos Rabões.

4ª- Um Pescador exibindo uma Lampreia pescada no Areio Dórt´s- Sebolido e o Rio Douro
Vendo-se o Areal o maior de todos os existentes no Rio.

5ª- Os Barcos (Navios de Carga - Cargueiros) que a fotografia mostra. Ficaram retidos por não lhes ser permitido saír a Barra do Douro, pela mesma devido ao mau tempo se encontrar fechada. Redporta-nos ao Ano 1957.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Regresso ao Activo = Eleições

APÓS UNS ANOS NA RESERVA VIGILANTE, A NECESSIDADE DO REGRESSO AO ACTIVO
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS REALIZADAS NO DIA 26 DE SETEMBRO DE 2009
COMO VICE PRESIDENTE NA MESA NÚMERO QUATRO EM NOGUEIRA REGEDOURA


A FOTOGRAFIA COM CERCA DE QUARENTA E CINCO ANOS MOSTRA O SEGUINTE:
O MEU MANO JOAQUIM FERREIRA, NA SERRA DE S. DOMINGOS, A FREG. DA RAIVA AO FUNDO DO LADO DIREITO, MAIS ACIMA O CAROÇO (AREIO) FRENTE AO PESO, DE FRENTE O AREIO D´ORTES, SENDO AQUELE DE MAIOR EXTENSÃO EM TODO O DOURO
QUERIDO AMIGO RIO DOURO - VAMOS CONVERSAR - SABES QUE RECORDAR É VIVER
Sim meu Bom Amigo, quando menos esperamos as surpresas agradáveis deparam-se-nos. Para melhor se perceber, uns dias atrás um Amigo meu, sabendo que eu gosto de coisas que se liguem por referências ás Freguesias circunvizinhas e testemunhos das suas Gentes, trouxe-me uns exemplares de Boletins Informativos, cujo titulo era " A VOZ" publicados pelo C.P.T. de RIO MAU,são exemplares datados de 1997. Nessa ocasião não vinha assiduamente cá acima, contudo ainda tive oportunidade de ter lido uns dois ou três números. Sinceramente tinha gostado do formato, a forma como da qualidade dos escritos.
Sinceramente hoje quando me foi dado ler, fiquei deveras surpreendido pela positiva. Era de uma qualidade e utilidadede extrema importância.
Encontrei nestes exemplares estudos respeitantes ás Freguesias de Rio Mau e Sebolido, que ainda não possuía, assim como dados respeitantes á Pesca Artesanal espectaculares. Consta o Nomes, medidas e formas de utilização das redes, bem como números de *Pescadores e em muitos casos os seus nomes. Muitos desses eu conheci. . Ao Amigo que desenvolveu este trabalho, que infelizmente já partiu. Certo que não tive grande ligação com ele, mas nem por isso quero deixar de lhe agradecer este o valor deste importantissimo ilucidativo trabalho. .A sua Fotografia não serviu para que o identificasse. Contactei Amigos meus para saber de quem se tratava e foi-me dito que era um Senhor que tinhas tal como meu Pai tirado a 4ª Classe nos Adultos. Fiquei maravilhado por saber que a Alma de Um Povo continua Viva, por gente não Letrada, mas que tudo fazem para deixar um legado para as Gerações vindouras. Nada me move contra os Letrados, até porque dispendi um grande esforço, para dar um Curso Superior ás minhas Filhas, mas a constação de uma realidade, nunca poderá ser escondida,nem escamoteada de verdade . Num tempo em que cada vez mais Jovens tem formação Académica, bom seria que se empenhassem na recolha de usos e costumes dos seus antepassados. Mas até ao Lavar dos Cestos é Vindima. Como tal vamos continuar a que valores como estes não se percam. Convictamente acredito que a minha geração tem uma responsabilidade acrescida, pois temos ainda a possibilidade de recolher testemunhos que se foram passando de Pais para Filhos e que hoje pelo Frenezim da Vida que talvez possa contribuir para o pouco diálogo existente entre familias e amigos, contribuem para que se vão perdendo,estes valores. Se a curto prazo e enquanto por cá andamos não os deixarmos registados.
Amigo Douro fiquei imensamente satisfeito, por saber que em Rio Mau existe uma Rua que faz referência aos antigos Pescadores, lamentando que tal não aconteça na Freguesia de Sebolido e concretamente no Lugar de Cancelos, onde apenas duas familias não vivianm em parte da Pesca e nelas não existiam Pescadores.. Mas por insistência minha nas Assembleias de Freguesia, ficou registada a promessa que quando se abrir novas Ruas elas terão o Nome de Pescadores e Agricultores. Vamos aguardando., acreditando que um dia esta promessa se venha a tornar realidade. Contudo já foi muito positivo esta reivindicação,constar em Acta da Assembleia de Freguesia.
Pena é que o Boletim tenha terminado.
Sei que não é fácil.
Sou responsável pelo Boletim que temos vindo a Publicar no Centro Recreativo e Cultural de Sebolido, com distribuição gratuita aos Associados, mas a falta de colaboradores,é a principal adversidade. Na esperança de melhores dias vamos enquanto possivel continuar a publicá-lo.
Neta Leitura Amigo reforcei o que já sabia.
O Povo de Rio Mau Adora a sua Terra.
Sobressai esse Amor, em tudo o que escrevem, relaccionado com a sua Terra e nas referências elogiosos aos seus Conterrâneos e Migrantes.
Bem Hajam.

PEDIR DESCULPA NUNCA SERÁ UM SINAL DE COBARDIA, MAS INDICADOR, DE UMA POSTURA DIGNA

Quero pedir-te desculpa se for caso disso por nestes dois dias te ter dado pouca atenção, se calhar até terás pensado que como na outra semana andei todos os dias metido dentro de ti e como sabes por me ter descuidado deixei o barco afastar-se e até deu direito a tomar aquela banhoca espectacular.`Mas verdade que estive embora que por pouco tempo na tua margem junto á lingueta Bi-Centenária, a tal que aos poucos as suas pedras se foram desmoronando e que já poucas existiam. Acalentava este sonho antigo de um dia as repor acaba de ser concretizado, assim já posso meu quando o teu caudal estiver um pouco mais alto levar os meus convidados familiares e outros amigos a te deliciarem. Foram razoáveis connosco ao baixarem por uns dias um pouco as tuas águas,foram obrigados pois tinham a necessidade de o fazerem para construir o Novo Cais nas Fontainhas, Lugar da Freguesia da Raiva Vila do Cativante Concelho de Castelo de Paiva. Ao me aperceber disso aproveitei com dois elementos a quem paguei e já está conseguido o objectivo primordial. Está liberto para poder ser concluído definitivamente. Os Pescadores já começaram a cheirar e rapidamente riscaram projectos para os pesqueiros, a minha Filha e Genro também já se sentaram lá hoje a te deliciarem, no sábado a mais nova a Carla Florbela também o fez. deixaram a promessa que agora nas férias do Natal vão estar mais tempo junto a ti.
O Nosso bom Amigo Dr. Amorim,contribuiu monetariamente e esteve cá no Sábado a apreciar e aprovou a cem por cento, ficou contentíssimo e que no Ano Novo cá estará para experimentar o novo posto de Pescaria.
Para mim as coisas também vão melhorar ao ter melhoria nos acessos.
Senti-me feliz por esta concretização e com umas coisas puxam as outras com diz o meu Irmão Quim, lá veio á memória a inspiração para os versos que relatam uma verdade indesmentível e porque eu declamava alto essas lembranças de pequenino as fui recordando e para que constem vou publicá-las, porque num dos seus contos relata e muito bem o nosso bom Amigo e também ele membro que serviu a gloriosa Armada o Manuel Araújo da Cunha num dos seus livros.
"Em Cancelos a fome nos tempos em que não nos abastecias era negra e ninguém tinha um vintém.
Mas mesmo sem isso a nossa felicidade era total e hoje sei que com o passar dos anos temos um enorme armmazem onde armazenamos maravilhosas experiência e sabedoria e neste tu cá tu lá continuamos a manter intactas as nossa faculdades mentais e intelectuais.
Digo-te amiúdas vezes temos de ser exigentes em não deixar perder pitada do que sabemos, mas lá vai então o relato da Lembrança de Miúdo:-

RECORDAÇÕES QUE NÃO ME ENVERGONHAM - VIVIA ESTES DIAS COM PLENA FELICIDADE
Lembranças da Minha Pequenice.

(O LAR ONDE NASCI)

Eu nasci num lar tão pobre
Tão pobre como fui e sou
Pobre com grande pobreza
Foi o que minha vida herdou

Foi o lar da minha vida
Que nem um berço tinha
Meus Pais dormiam na Sala
Eu ficava na cozinha

Era tão pequenina a casa
Que não dava para arrumação
Pois meus Pais não tinham posses
Para me comprar um colchão

Era assim nesse meu tempo
Os Colchões feitos de sacos
Cheios com palha de centeio
E os Travesseiros de farrapos

Mas compraram uma boa casa
Pouco abaixo dos Portelos
Num lindo e adorado Lugar
Que dá pelo nome de Cancelos

E ainda muito pequenino
E não tendo com quem ficar
Minha Mãe tinhas de ir ao Monte
Mas tinha que me levar

Era uma Pescadora/Lenheira
Estivesse calor ou muito frio
Apanhar Carqueja e Queiró
Que carregava até ao Rio

Eram Botenos que bem amarrados
Em conta um Cento e Meio
Com este peso todo á cabeça
Ainda com um Filho no Seio

Já nesta casa fui crescendo
Vivendo esta vida marota
Foi então que fui pedir
Com a minha Prima Barrota

E a pedir de porta em porta
Pelos Lugares e Freguesias
Regressando contente a casa
No final de todos os Dias

Com a códea enganava o Estômago
Distraíndo algumas vezes a Fome
Valeu a pena pois fui ensinado
Que quem não pede não come.

Cresci assim no dia a dia
Seguinte foi ir para a Escola
Meus Pais compraram-me Livros
Lápis, Lousa, Vata e a Sacola

Mas a fome também me deu
Muita calma e paciência
Não um Super-Dotado
Mas com muita Inteligência

Aprendi bem a contar
O mesmo a ler e a escrever
Aprendi muito a respeitar
E também a saber a obedecer

Tudo isto me recorda
Uma miséria infernal
Havia tudo p´rós ricos
Neste nosso belo Portugal

Mas valeu-me esta lição
Com pobreza mas honradez
Mas tenho esta enorme fortuna
Ser um honrado Português.

Longe vão os tempo felizmente,em que quem nascia pobre estava condenado a ser pobre toda a vida.
Passar toda a Vida, sem casa, sem familia e sem guarida, vivendo em eterna solidão, como se a culpa fosse deles que nasceram. E nã daqueles que fingiram que não se aperceberam. Que um desteds pobres deveria ser um irmão.

O amor a eles como a Ti Rio Douro,é como o Oceano que vi sempre o começo, mas nunca cheguei ao fim.
Amor reciproco que perdura e perdurará, para lá de mim, já que tu és Eterno.
Nunca o Barco andará à deriva porque a espadela a guiará.

REFERÊNCIAS A SANTA EULÁLIA PEDORIDO- LUGAR DE RIO MAU E CONCELHO DA RAIVA - SEBOLIDO
Amigo hoje vamos falar de coisas que se passaram enquanto a hoje Freguesia de Rio Mau foi em tempos um Lugar da Freguesia de Santa Eulália de Pedorido, nos tempos a que a Freguesia da Raiva era Concelho ( Conforme comprova o Pelourinho lá Existente) e como tal ainda hoje lá mantém o Pelourinho quem sobe da Igreja para cima ao lado esquerdo esse símbolo é a distinção e documenta essa veracidade. Mas hoje é para falar da antiga Capela de Rio Mau que já há muitos anos carecia de obras ou de ser substituída.
Sempre era protelada a decisão, mas também da actual Igreja, do Atoleiro e de nós. De nós Amigo, porque o que aqui vou falar concerteza já é do teu conhecimento, mas sei que teimas e muito bem em não relatares mesmo aos teus maiores Amigos e Admiradores relatos importantes a que tenhas assistido e por vezes não por culpa tua mas das intepérides de que não és responsável a que sejas obrigado a ser falado em que a culpa te poderá ser atribuída.
Ainda bem que assim é.
Por vezes quando assisto e assisto porque me não posso desviar a comentários menos abonatórios a teu respeito, sinceramente que antes me incomodavam, hoje não ligo patavina porque sei serem de quem nada percebe daquilo que te diz respeito, dos tais que são os únicos detentores de todas as sabedorias e todo o resto.
Mas de rios e mares nada percebem e falar-lhes de margens, caudais, bombordos ou Estibordos é segundo eles tratá-los mal.
Mas como dizem os Cristãos aquela máximas de Pai perdoa-lhes que eles não sabem o que dizem e menos o que fazem,como tal merecem ser desculpados.
Também tu e nossos amigos temos de fazer o mesmo.
Mas como os teus e nossos amigos são mais que muitos então vamos falando porque eles terão pachorra para nos ler e conhecer e registar os nossos testemunhos que poderão não ser muito atractivos, mas tem o valor de serem reais sem um minímo de ficção.
Os nossos amigos que nos os dão a conhecer, são como o algodão. Não enganam.
São pessoas desprovidas de qualquer pretensão de protagonismo.
São feitas referências á Capela de Rio Mau num trabalho excelente que mais tarde desenvolveremos onde não era permitido a travessia de uma margem para a outra em alturas que as tuas águas aumentavam e a corrente se tornava mais forte.
Como os Padres em número de 3 a sua residência era em Pedorido então nessas ocasiões na era celebrada missa na Capela.Era referido ainda que a população era pobre e como tal isenta de pagar impostos, relata o que a Capela possuía e tudo era valioso tinha recebido obras de conservação e garantia longos anos sem necessidades.
Os anos de duração das madeiras eram limitadas, com o decorrer dos anos a necessidade de obras e aumento da Capela ou uma Igreja com maiores dimensões para que todos os Cristãos ja que vinham crescendo podessem assistir ás missas.
Choviam as promessas.
Obras Nicles.
Até que farto, já não acreditando nessas promessas o nosso Saudoso Amigo Rimauense homem dotado de uma inspiração poética invejável decide tornar pública a sua insatisfação.
Foi como atear um fosforo a uma porção de gasolina.
Após a publicação dos versos foi um ver se te havias e em vez de o vai fazer-se. Começou de imediato a ser feito.Há copisas sérias que podem ser ditas a brincar.
Este trabalho e o impacto que teve foi real.
A acdeleração daconstrução da Igreja, em boa parte a ele se deve.
Só é possível perpetuá-la pelo empenho e dedicação do meu querido e bom Amigo que me deu este privilégio de eu poder publicar em primeira mão estes dois preciosos documentos.
A Ti António Monteiro, permite que te reconheça com toda a minha gratidão e distinção.
Ao teu grande Amigo. Saudoso Ricardo M. Sousa, esteja onde estiver!.. Concerteza muito contente ficará; ao saber que foste um fiel depositário de documentos tão importantes que os soubes -tes valorizar e é a ti por mérito devido que cabe a responsabilidade de através do meu Blog o imortalizares. É convicção que ambos esais de parabéns por este legado.

HOMENS E POETAS POPULARES RIMAUENSES
Autor das Quadras:- Ricardo M. Sousa
Dono do Documento António Monteiro:-
Transcrito por:- Valdemar (Ferreira "O Marinheiro").

(ANTIGA CAPELA DE RIO MAU)
Ao entrar na Sacristia
Da minha pobre Capela
Distraído saudei
Dois obreiros mestre dela

Mas qual foi o espanto
Que de repente notei
Uma vóz como dum Santo
Bons dias eu te darei

Olhei logo em redor
Mas não via ali ninguém
Então outra voz mais forte
Me saudou a mim também

Agora tremo de susto
Quem me fala são retratos
Fico firme mas com custo
Mas eles estão pacatos

Amigo, me disse o Magro
Quero que digas ao Povo
Estou aqui á Cem anos
Não vejo nada de novo

Cem anos já se lá vão
Tanta Gente vi entrar
Mas nem só um conseguiu
Esta Capela aumentar

Temos estado caladinhos
A ver o que vós fazeis
Vamos nascer e morrer
Na vida só dando leis.

O mais gordo disse então
O que pensa esta Gente
Talvez pense que a Capela
Sirva sempre Eternamente

Eu quero que vós saibais
O que disse S.João
Numa noite de Inverno
Ao ribombar dum Trovão

Fugei Santos e Santinhos
De novo vamos morrer
O Forro alaca já
As Telhas com nós vem ter

O relógio está no fim
O Caruncho nos sufoca
Para maior desgraça os sinos
Quase nenhum deles toca

Vai Ricardo sê feliz
Diz a todos o que sinto
Faz pregão do que te diz
O José Bernardes Pinto.

No Lugar de Rio Mau existiu em tempos uma Pensão que no seu auge foi das mais badalas do Norte as suas referências de bem receber e bem servir trouxeram a este pitoresco Lugar com a colaboração das suas gentes hospitaleiras Ilustres Personagens, muitos deles desconhecidos.
Perante a presença de muitos deles algumas vezes me interroguei se estaria na presença de Santos ou Pecadores. Para lá dos habituais estágios de Jogadores de Futebol e Ciclistas muitos outros aqui vinham parar.
Hoje e depois de o António Monteiro me ter entregue e eu lido e relido estes maravilhosos versos as minhas dúvidas não se dissiparam mas sim aumentaram.
Secretamente e meio envergonhado fui á Janela da minha Sala e uma vez mais e em vóz alta de forma a que o meu eco de pronúncia a ele chegasse e poder ter um pequeno sinal.
Mais o meu Amigo Rio peferiu continuar a deliciar-se e continuar a receber a forte chuva que nele entrava e como a fazer-se de alonso nem resposta nem recado me deu isto como quem diz um segredo é para guardar e se queres dissipar dúvidas continua a indagar. Obrigado amigo tu és mesmo o máximo.É por estas e outras mais que cada vez gosto mais de ti se ainda for possível gostar mais e melhor. Mas não vou desistir de te consultar, sempre que tiver essa necessidade. Sabes que também sou de convicções fortes e não desisto fácilmente. Para continuar a ser homem de causas e não de casos tenho de ser persistente.

PENSÃO DE S. JOÃO em RIO MAU - SEBOLIDO

Já chegou a Fama ao Céu
Desta moderna Pensão
Pois já temos dois almoços
P´ra S.Pedro e S. João

S. Pedro e S.João
No Céu fizeram barulho
Querem vir cá á Pensão
Ás papas de sarrabulho

S.to António também quis
Participar nesta Guerra
Já não Hei-des só os dois
Também vou aquela terra

S. Martinho o rei da pinga
Entrou na discussão
E disse: Amigos calma
Eu também vou á Pensão

Nisto entrou S.Gregório
Mas este muito zangado
Vós hei-des para as papas
Eu vou ao Sável assado

Convém ir junto connosco
A Maria das Candeias
P´ra ver Dona Carolina
A preparar as Lampreias

Lá o arroz das Lampreias
Disse S.Brás de Canelas
Foi a coisinha melhor
Que me passou nas Goelas

Diz S. Pedro a S.João
Que sarilhos nos metemos
Um Autocarro não chega
Vão ir todos os que temos

Santos Anjos e Arcanjos
Disse S. Paulo Doutor
Se não houver Autocarros
Vai um disco Voador

Vai tudo P´ra Rio Mau
Disse S.Judas Tadeu
Querubins e Serafins
Vai ficar vazio o Céu

Amigo apesar de ser duas da manhã e tu relagadamente continuares a te deliciares com as chuvas que te vão proporcionando teres recebido águas mais límpidas também eu me fui maravilhando com este interessante diálogo juntando a isto o sabores calor que fui recebendo da Antiga Lareira este tempo foi maravilhoso. Agora vou encerrar a escrita e reler o Livro do Amigo que viveu aqui junto a nós e foi como Marinheiro que nos visitou, infelizmente na Tragédia de Entre-os-Rios mas que ele teve a coragem e sabedoria de perpetuar como ninguém de entre tanta fanfarronice de expressão de sentimentos no mínimo duvidosos e até arrisco a afirmar que segundo a minha conclusão pessoal muitas das choramingas e lamentações apenas tinham um único sentido. Provocar o protagonismo que de outra forma nunca seria conseguido. Muitos poucos hoje se atrevem ou querem falar da tragédia, mas quem como tu vês diariamente os Cemitérios de Oliveira do Arda e Raiva e eu que por lá passo amiudadas vezes juntando ainda os de Sebolido e Sardoura, jamais a esqueceremos e a todo o momento me recordo e faço votos que estejam onde estiverem descansem em paz. Mas o Livro do Comandante da minha Querida e Amada (Marinha de Guerra Portuguesa ficará eternamente como um testemunho de seriedade e gratidão. As gentes dos dois Concelhos que não são Burras sabem valorizar quem os perpetua. Por mim Obrigado Sr. Comandante Augusto EzequielPELA MISSÃO EM CASTELO DE PAIVA.Amigo Rio Douro, hoje vamos voltar a conversar neste Blog, já que temos vindo a fazê-lo na Terra Rio e Mar- Como já várias vezes temos conversado é nesse Blogue que falamos de coisas mais diversas, enquanto reservamos para este o que parece ser uma linha do princípio para que foi criado. Sabes que ambos são nossos e que os nossos Amigos nos lêem em ambos. Mas falar da hoje Freguesia de Rio Mau, que em tempos foi Lugar de Pedorido e depois de Sebolido tem para nós um carinho especial, já que tu a banhas e eu constantemente atravesso a Freguesia e todo o nosso passado a ela está ligado. Sabes bem que tenho por essa gente um carinho e admiração especial. Talvez agora possa dar um pequeno contributo, para minimizar as traquinices do meu tempo de Jovem. Mas sei que também eles por nós têm um carinho especial. Quando e após uma semana totalmente a relembrar-me dos maravilhosos anos da Empresa Carbonífera do Douro e dos anos em que lá trabalhei e que tantos amigos lá ganhei, pensava eu que estava chegada a altura de começar a escrever esta fase da minha vida, partilhando grandes alegrias com estes meus amigos e eles comigo, mas eis que me surge a oportunidade de ter de me ir encontrar com o Amigo António Monteiro, pois graças a ele que ao me ter entregue uns Poemas do Saúdo Ricardo M. Sousa os meus blogs fossem lidos atentamente por uma sua familiar nascida e residente no País Irmão (Brasil) e assim hoje poder ter contribuído que esses laços familiares se venham a reforçar. Foi graças ao trabalho guardado a sete chaves pelo António que assim foi possível a Dona Sílvia reviver locais que uma vez conheceu há muitos anos aqui em Rio Mau e realizar o sonho de conhecer algo respeitante a estes seus familiares. Para estabelecer esse contacto fui falar com o Senhor Rolando Sousa que me relatou coisas maravilhosas que divulgarei em outra ocasião. Foi então que uma vez mais o Monteiro me surpreendeu ao fazer-me entrega de mais uns Poemas do Saudoso Poeta, pelo valor dos mesmos e o que eles representam e para que a Dona Sílvia tenha mais este conhecimento. Optei por lhes dar total prioridade.

CONVERSA A TRÊS: -

O FILHO A MORTE E A MÃE

PEDIDO DO FILHO Á MORTE=
Ó Morte tão traiçoeira
Tu que não poupas a ninguém
Olha! Mas demora muito
A levares a minha Mãe

RESPOSTA DA MORTE :-
A minha vida é matar
Tudo o que vive no Mundo
Quer de noite quer de dia
Não perco um só segundo

RESPOSTA DO FILHO :-
Sim morte tu tens razão
Mas leva o que é mau
E deixa o que é bom
Tu levando a minha Mãe
Golpeias meu coração

MORTE SENSIBILIZADA
Podes ficar descansado
Tua Mãe não vai comigo
Por seres um bom filho
Longos anos estará contigoO

FILHO INFORMA A MÃE
Mãe eu já pedi á morte
Que não te levasse cedo
O Mundo sem ti é escuro
Ó minha Mãe, tenho medo

A MÃE PARA O FILHO
Obrigado filho amado
Tesouro do meu coração
Assim pensem estes filhos
Destes Pais que aqui estão

ENTÃO O FILHO LAMENTA
Quantos Paizinhos no Mundo
Poderiam ainda hoje viver
Se os filhos os amassem
Do Coração a valer

FELICITAÇÕES DE FILHO
Ó Mães de Rio Mau
Deste palco vos saúdo
Quem tem Pai tem grande bem
Mas ter Mãe é melhor que tudo.

MENSAGEM TERNA E DOCE DO FILHO
Quem não Ama Pai e Mãe
Antes filho não o fosse
Pai que palavra tão Linda
Mãe que palavra tão Doce

Amigo desculpa por voltar a repetir o que ontem já disse: - Mas as novas Tecnologias por vezes reservam-nos umas surpresas inesperadas e quem sabe se não serão um teste á nossa capacidade, se estaremos ou não preparados para calmamente aceitar estes percalços e se temos a mobilização mental necessária para de novo voltarmos a reescrever. Se o conseguimos fazer, duas coisas podemos ter a certeza é que mentalmente estamos bem e que o trabalho que desejamos dar a conhecer é deveras importante como a principio nos parecer que seja. Assim e depois de a discriminação de este pequeno pormenor estão criadas as condições para que voltemos a desenvolver esse mesmo trabalho e o dar a conhecer a quem estiver interessado: -

OS COPOS E UM NEGÓCIO NA FEIRA DE S. MARTINHO EM PENAFIEL (QUE SE REALIZA NO MÊS DE NOVEMBRO.

Certa vez no S. Martinho
Com a fartura do Vinho
Mau negócio eu fiz
Comprei Vaca, saiu Bói
E assim me obrigou
A eu lá voltar outra vez

Quando á Feira cheguei
Com o mesmo Senhor dei
Mas em grande burburinho
Agarreio pelo Pescoço
Tem paciência meu Moço
São coisas de S. Martinho

Desfiz então o engano
Com esse mesmo Fulano
Que se chamava Ventura
Deixamos de andar á rasca
E voltamos para a Tasca
Beber mais e á fartura

Eram copos e mais copos
Já sorriam os Cachopos
De ver nossas posições
Tanto eu como o Ventura
Com a Fralda á dependura
Um bom par de Borrachões

Começam haver sarilhos
Com a força dos quartilhos
Embora mal medidos
Nisto oiço uma voz
Que veio bem até nós
Estes dois estão perdidos

Já de fraca catadura
Despedi-me do Ventura
E saí ao Zigue-Zague
De repente bem um murro
Oiço dizer está seguro
Não vai daqui sem que pague

Ouvi o melhor discurso
Em toda a minha vida
Do Ventura com firmeza
Larguem esse meu Amigo
Ponham-no livre de perigo
Sou eu que pago a despesa

Tinha eu deixado a Vaca
Preza a uma estaca
A um cantinho da Feira
Mas o raio da Canalha
Que nessa Feira não falha
Fez a sua brincadeira

Agora que vejo eu
Ó Meu Santo Deus do Céu
Mas que grande desalento
A minha linda Vaquinha
Não está lá coitadinha
Mas sim um velho Jumento

Tentei pôr tudo em cacos
Mas apanhei dois supapos
E eu com minha razão
Alguém disse cena feia
É metê-lo na Cadeia
Esse grande Borrachão

Com a cabeça toldada
Não esperei por mais nada
Tratei foi de vir-me embora
E de regresso, mas sózinho
Quantas vezes pelo caminho
Vi chegada a minha hora

É feio ser-se Borracho
Um grande defeito que acho
Agora com mais juízo
Ser alegre e sorridente
Que o seja toda a Gente
Ser Borracho não é preciso

É tão Lindo quando partimos e deixamos para os nossos conterrâneos expressos os sentimento e o amor que nutrimos pelas Terras que nos viram nascer e Crescer.
Bem hajam estes apaixonados.

DA JANELA DA MINHA CASA EM RIO MAU EU VEJO
Da minha janela eu vejo
Os Lugares de Outeiro e S. João
Vejo as Moças na Fonte
Com o Caneco na mão

Vejo o Rio e o Ribeiro
Quando estou ao meu Janêlo
Vejo o Lugar de Pustercos
Os de Castelão e Portelho

Também vejo a Estrada
De todos Sala de Estar
Deslumbro bem a Sobreira
O Coração do Lugar

Vejo minha Mãe rezando
Ao cantinho da cozinha
A pedir a Deus do Céu
P´ra nos dar a saúdinha

Sou feliz em minha casa
Sou feliz eu bem o sei
Eu não troco a minha casa
Pelo Palácio de um Rei

NOÇÃO E LÚCIDEZ DE TER DADO VIDA Á VIDA - RICARDO M. SOUSA
Quando na fase terminal e já padecendo de cegueira total teve este testemunho fabuloso que demonstra todo o carinho e amor que nutria pela sua Terra, pela sua Banda Músical e pelo seu Rio Douro.
EU JÁ MORRI.
Morri porque não posso ver a Banda, não vejo o Lugar da Sobreira nem o Rio Douro.

Nota: -
Este Poeta autodidacta,deixou um espólio que seria de valor cultural incalculável, mas que infelizmente se poderá ter perdido por na ocasião da sua morte estar em poder de um seu amigo e que os familiares de Ricardo M. Sousa não terem conseguido como o encontrar, o que poderá ter acontecido também ele já ter partido dado que era uma pessoa de Idade avançada.

Apraz-me registar a Quadra que dedicou às Fragas de Sebolido.
È aqui que o Poeta pensa e Clama.
Sem Deus seria impossivel tão bonito panorama.

A última Quadra do Poeta:-

Muito Lindo é na Vida
Saber a Vida Levar
Quem na Vida nã faz Vida
Tem na Vida Que Chorar.

Amigo Descansa em Paz.

Por mim vou continuar a procurar recolher mais testemunhos.

Tenho programado para breve novo contacto.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Um Conto de Natal

Natal

Conto

E ele a dar-lhe e a burra a fugir. Tanto já se tinha esforçado para vender os toiros em condições vantajosas que perdeu a conta aos artifícios montados nesse firme propósito de fazer o negócio que agora acabara de concluir na feira de Melres.
Nem em Canedo lhos quiseram por duas notas de cem mil reis a quantia que correspondia exactamente à última avaliação feita pelo Roto de Cabeçais nos vinte e cinco em Entre-os-rios.
- Tratantes, passa um homem um ano inteiro a pastar e a engordar o gado e agora dão-lhe aquela miséria de compensação por tanto esforço! Ele é erva, folhelho, palha e muitas vezes milho do canastro para manter uns bois sempre na esperança de, depois de bem medrados, tirar deles um suplementar rendimento de forma a poder sobreviver enfrentando as muitas adversidades que podem surgir sem a gente contar.
- Cento e oitenta paus por dois touros; bichos graúdos, possantes, capazes de lavrar num só dia dois campos de milho ou acartar do monte, cinco ou seis carros de mato, é mesmo a gozar com quem trabalha a terra!
Mas pronto, agora é rezar-lhes pela alma, no fundo o que interessava mesmo era sentir no bolso das calças de ganga o bafo das notas que pareciam acabadinhas de fazer na Casa da Moeda. São raras, quem tiver a felicidade de deitar os olhos em cima de uma montanha daquelas, todas de vinte escudos, pode considerar-se um homem rico.
Caminhava em direcção a casa pelos caminhos do monte levando numa mão a soga agora desocupada e na outra a vara de marmeleiro com que tocou os animais até à Melres.
- Isto de antecipar as feiras também tem que se lhe diga, um homem faz contas à vida e tudo o que lhe alterar o calendário religiosamente estabelecido no princípio do ano, acaba sempre por trazer grandes contrariedades. Falhou um dia de poda lá em baixo nas Enxurreiras e ainda por cima se havia de fazer bom tempo era hoje.
Tarde de Dezembro, véspera de Natal e ele a passar nas Corgas a digerir um negócio que sem ser bom ou mau, acabou por não atingir os desejados objectivos.
Anoitecia, o sino da igreja de Sebolido batia as cinco horas da tarde e o Ratana aconchegou-se um pouco mais dentro da samarra tentando impedir que o ar gelado de Inverno lhe penetrasse no corpo e chegasse até aos ossos.
Já perto do povoado, ali onde os caminhos se encontram e prometem variadas e incógnitas direcções, parou a contemplar a capelinha da Senhora do Monte. De chapéu na mão, sim porque um verdadeiro devoto tem de se descobrir e guardar respeito às coisas de da fé, benzeu-se e fez uma prolongada vénia. Um homem trás sempre dentro da solidão sentimental da sua vida intangíveis mistérios e ele na condição de criatura feita à imagem e semelhança de Deus, não escapava aos propósitos do destino e carregava também a pesar-lhe em cima do lombo, inquietações, angústias e medos e muito mais coisas que o iam minando como a aguardente a um alcoólico.
Como se de repente lhe viessem à cabeça todas as dolorosas realidades da vida, avançou para a entrada da capela disposto a rezar. Foi um desejo imprevisto, um baque no coração que não tem explicação mas que lhe condicionou todas as vontades previsíveis e lhe ordenou numa hipnose estranha o que tinha de fazer.
- O meu Quim! - Exclamou
O filho ausente na tropa a lutar na Guiné, nesse ultramar que derrete juventudes inocentes e que já há dois Natais não se sentava à mesa da ceia, entrou-lhe pelo pensamento dentro com um tiro desferido à queima – roupa que o degolasse ali, entupido por um nó que se formou de repente na garganta e a ferida da sua quase insuportável ausência, aquela fenda no peito que lhe andava a esmagar o coração, principiou de novo a sagrar.
Ajoelhou na terra húmida do recinto e, como um naufrago aflito no mar alto que visse ao longe o navio da salvação, ergueu as mãos ao céu e soltou o apelo que o devorava:
- Senhor, eu sei que sou pecador que decerto nem mereço um simples olhar da Vossa Divina Graça mas se poderes trazei de volta o meu pequeno, não por mim mas pela minha Ana que morre de saudades do filho! Não sabemos dele há mais de dois meses, o Maioto carteiro não nos chega com notícias, tão-pouco com um aerograma a dizer que está bem!
Os olhos humedeciam-se à medida que se embrenhava no entorpecimento da espontânea oração e aquele ser dos campos, era então o símbolo vivo de todas as fraquezas humanas, reduzido ao nada, ao barro de que foi formado ao pó a que há-de voltar a ser um dia. Recorria à santa que nem sequer via porque fechada dentro da capela decerto nem o ouvia e por isso ignoraria as suas preces. Tão pequena e frágil é a condição humana, desprotegido agarra-se ao divino com tal devoção que só um Deus muito severo e cruel não atenderia a tão humildes e sinceras súplicas.
Levantou-se e benzeu-se de novo com mãos trémulas ao mesmo tempo que deu um passo em frente e empurrou a porta do templo que se abriu e deixou ver na penumbra do pequeno compartimento, um altar mais ao fundo com a imagem de N. Senhora de Lurdes pausada em cima de uma toalha de linho branco que o olhava com a celeste bondade dos santos.
Assaltado por um sentimento de piedade repentino avançou timidamente para ela e ajoelhado disse:
- Estou eu para aqui feito tolo a pedir coisas e a senhora aqui sozinha ao frio dentro da capela sem comer e sem beber. Hoje é dia de festa e se vossemecê não se importar, vai consoar lá a casa comigo e com a minha Ana. A comida já deve andar às voltas na panela, são batatas cozidas com bacalhau e tronchudas regadas com azeite da terra, do mesmo que ilumina o Santíssimo Vosso filho que está lá em baixo na igreja e, se Ele quiser, há-de haver uma rabanadita ou duas feitas com mel do Manel da Deolinda e também um naco de bolo rei para sossega! Não sei se a Senhora gosta mas é sempre melhor que nada! Se a deixar aqui, nem consoada vai ter! Olhe que a minha Ana cozinha que é uma maravilha!
Sem esperar resposta pegou na estátua da santa, embrulhou-a na toalha, meteu-a debaixo da samarra saindo a caminho de casa.
Passou à Cruz de Ferro já a noite descia em manto gelado a cobrir os campos e os montes e as tronchudas nas leiras da Rodela, luziam já cobertas pela humidade do sereno nocturno.
Chegou finalmente a casa quando a esposa preocupada já se tinha decidido a procurá-lo. Ao ver aquele embrulho debaixo do braço do marido exclamou surpreendida:
- Que é que trazes ai homem, é um bacalhau? Se for já vem tarde, o que vais comer hoje, já está cozido!
-Não mulher, respondeu num sorriso de contente, trago aqui a N. Senhora de Lurdes que este ano resolveu vir consoar cá a casa! Em falta do nosso Quim fica ela a fazer companhia à gente, é sempre uma mulher que mete respeito!
Ela calou-se entupida por brusca e inesperada emoção a olhar para o marido, aquele pedaço de asno, rude como toco de carvalho, mas que tinha dentro do peito uma alma do tamanho do mundo. Chorou por que ele lhe lembrou o adorado filho ausente e também por confirmar mais uma vez ao longo desta vida de trabalhos e canseiras, que casou com um homem capaz de retroceder no tempo e reencarnar a inocente época em que foi criancinha.
A ceia estava pronta, na travessa de barro com ramos de flores estampados, apareceram as fumegantes batatas cozidas meio cobertas com postas de bacalhau e tronchudas. Um cheirinho a Natal espalhou-se na cozinha que a luz de um lampião a petróleo mal iluminava e a mesa posta tinha três talheres e outros tantos pratos, ao centro mais um outro cheio de rabanadas e um bolo rei embrulhado num papel de fantasia com pequeninas árvores de natal desenhadas, completava a fartura que se repetia todos os anos nesta noite.
A lareira crepitava em farto lume e, pela primeira vez neste Inverno, superava o frio que entrava pelas frinchas da parede e das lousas da cobertura porque o lavrador tinha trazido do monte um enorme tronco de castanho.
Trum, trum, trum
Alguém batia no postigo. O Ratana levantou-se num pulo e foi abrir a porta ao inesperado visitante. Ali, à frente dos seus olhos estava o filho fardado de camuflado militar. Nem um som pronunciou a sua boca estupefacta e sem medir os gestos, avançou e abraçou-se a ele a soluçar. A Ana veio também a correr e, por entre lágrimas e risos os três eram um só de pé na soleira da porta da singela casinha.
Veio a ceia agora ainda mais apetecida e os quatro a consoar em volta da mesa, faziam lembrar o santo presépio de Belém.

Do livro, "Douro Lindo" de Manuel Araújo da Cunha